sábado, 12 de junho de 2010

HIV: tratamento falha para 30%

Maioria dos casos de insucesso se deve a equívocos dos pacientes na hora de tomar os medicamentos do coquetel!

Rio - Um em cada três portadores de HIV em tratamento no país tem resistência à maioria das drogas disponíveis para controlar e minimizar a evolução da Aids. A conclusão é de uma pesquisa realizada pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
O autor do levantamento, o infectologista Ricardo Diaz, acredita que os principais motivos para explicar a falha no tratamento de 30% dos pacientes com Aids são uso incorreto do coquetel, a resistência prévia do vírus ao medicamento antes mesmo do início da medicação e até alterações no metabolismo do paciente.

Segundo especialistas, a dificuldade de adesão ao tratamento, que pode ser consequência dos efeitos colaterais dos coquetéis e da dificuldade de tomar um grande número de medicamentos nos horários certos, é um dos maiores problemas. “Se a pessoa toma direito e a carga viral fica indetectável, não tem como se tornar resistente.

É possível usar os remédios por 20 anos sem desenvolver resistência”, diz o infectologista Caio Rosenthal.

O técnico do departamento de DST/Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde Ronaldo Hallal ressalta que a resistência também está ligada ao diagnóstico tardio.

“Se a pessoa começa a se tratar com a imunidade alta, a chance de desenvolver resistência é menor. Mas se começa o tratamento quando está doente, o risco é maior”, explicou Hallal. “O mundo se preocupa com a resistência aos medicamentos. No Brasil, médicos dão aconselhamento sobre tratamentos que podem ser adotados. É raro não ter opção”, minimizou o técnico.