domingo, 6 de dezembro de 2009

Dor com data marcada


Metade das mulheres sofre todo mês com as cólicas menstruais. Se forem muito intensas e não melhorarem com analgésicos, podem ser sinais de doenças mais graves.
Todo mês, nada menos do que 50% das mulheres em idade fértil enfrentam dias de intenso sofrimento com as cólicas menstruais. Segundo o professor de pós-graduação do Hospital Fernandes Figueira, Cláudio Crispi, é preciso atenção: se as dores forem muito intensas e impedirem as atividades rotineiras, é provável que sejam sinais de males como infecção no útero e nas trompas, cistos no ovário, varizes pélvicas e endometriose.
Ele alerta que é preciso procurar um ginecologista com urgência em caso de dor que aumenta a cada mês, não passa nem com analgésicos e vem junto com desconforto nas relações sexuais e alterações intestinais. Sentir cólicas não tem a ver com a idade da mulher. De acordo com Crispi, a dor costuma aparecer de forma mais intensa na primeira menstruação e se estabiliza durante a idade fértil. Na menopausa, o desconforto diminui.
GRAVIDEZ AMENIZA PROBLEMA
“A mulher que engravida e se submete ao parto normal também passa a sentir menos cólica. Isso porque o procedimento dilata o colo do útero, facilitando o escoamento da menstruação”, explica Crispi. Mas, calma! Não é preciso engravidar e nem contar os dias esperando a menopausa para se ver livre da dor. O bom e velho analgésico, como a dipirona, e até receitas caseiras, como colocar bolsa de água quente na barriga, ajudam a aliviar o incômodo.“A pílula anticoncepcional também melhora os sintomas. Manter uma alimentação saudável, com pouco colesterol, e praticar exercícios físicos regularmente são outras medidas de apoio”, diz o médico.
Mas há casos em que nada disso adianta. “Às vezes sinto tanta dor que chego ter ânsias de vômito. Tenho dificuldades para trabalhar e estudar. O incômodo é tanto que prejudica minha concentração”, conta a jornalista Patricia Santos, 33 anos. Ela descobriu que tinha endometriose há dois anos, num exame de rotina. Nesse período, já passou por duas cirurgias. “Desde adolescente, eu sentia dores muito fortes. Vomitava, tinha diarreia e pressão baixa. As pessoas diziam que era frescura”, relata. Ela conta que descobriu a doença depois de desmaiar no trabalho devido às dores. Trocou de médico e, duas semanas após a primeira consulta, se submeteu a uma cirurgia. Para a jornalista, no entanto, o maior transtorno foi saber que poderia ter dificuldades para ser mãe, já que a endometriose pode levar à infertilidade.
“Eu não sabia da existência dessa doença. Meus amigos, meus pais, meu marido, ninguém conhecia. Naquele ano, meu plano era engravidar. Comecei os tratamentos cinco meses depois, mas ainda não deu certo”, afirma.

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