segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Teste em grávida evita contágio de vírus perigoso em bebê

Diagnóstico no pré-natal impede transmissão do HTLV, causador de problemas neurológicos degenerativos.


O HTLV — vírus que causa problemas neurológicos degenerativos e alterações no sangue responsáveis pela leucemia — poderia deixar de ser transmitido das mães contaminadas para seus bebês se o teste de diagnóstico fosse oferecido no pré-natal. Mas o exame, que desde 1993 é obrigatório nos doadores de sangue, não faz parte dos procedimentos que, segundo o Ministério da Saúde, devem ser oferecidos às grávidas. De acordo com especialistas, muitas vezes o teste-diagnóstico não costuma ser indicado nem na rede privada de hospitais. “Estamos lutando para a inclusão da testagem para HTLV nos exames pré-natal da rede pública, pois hoje ele não é oferecido para a gestante. Se ela souber que é portadora do vírus, poderá evitar a transmissão para o bebê. É só a mulher não amamentar, já que o vírus pode ser transmitido no aleitamento”, ressalta Sandra do Valle, que faz parte da Associação Lutando para Viver, dos pacientes do Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas (Ipec) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).Na semana passada, Sandra e outros pacientes foram à Alerj pedir mais atenção aos portadores da doença. Além de ser transmitido pelo leite, o vírus pode ser passado por transfusão de sangue, sexo e compartilhamento de agulhas e seringas. “A doença tem caráter progressivo e é incapacitante. O paciente vai perdendo a força nos membros inferiores e evolui para a cadeira de rodas”, explica a infectologista da Fiocruz, Ana Claúdia Leite. “Nos bebês, aumenta muito o risco de leucemia”, acrescenta.

AUSÊNCIA DE SINTOMASUm dos grandes problemas que facilita a transmissão é que o HTLV não provoca sintomas em 95% dos que são portadores do vírus. “A grande preocupação é o fato de ser uma doença em que apenas 5% dos portadores vão desenvolver quadros neurológicos degenerativos. Não temos hoje uma estratégia de prevenção e informação à população, já que os outros 95% assintomáticos transmitirão o vírus sem nunca ter doença alguma. E como saberemos que uma pessoa infectada fará parte dos 5% ou dos 95%? A prevenção e a informação são fundamentais”, observa o infectologista da Fiocruz Marcus Tulius. Só na Fiocruz, 900 pacientes com a doença são acompanhados. “Por ser uma doença desconhecida até pelos médicos, não existe notificação em todo o país. Trata-se de uma doença negligenciada até mesmo na notificação. Na Fiocruz, já estamos trabalhando no limite da capacidade. Somos apenas quatro médicos para tratar de todos os pacientes”, afirma Ana Cláudia.

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