segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Contra gripe suína e outras doenças



Hábito de lavar as mãos ajuda a eliminar diversas bactérias e vírus


Lavar as mãos várias vezes ao dia virou hábito indispensável em tempos de guerra à gripe suína. Mas a prática também tem se mostrado eficiente no combate a doenças provocadas por outros vírus, parasitas e bactérias. A limpeza constante acaba com o risco de diarreias e infecções, como hepatite-A.

Para o virologista Davis Ferreira, da UFRJ, a onda de higiene evita que a população se contamine pelo Rotavirus — que provoca diarreia infantil —, além de Rinovírus (tipo de resfriado que ataca crianças) e Adenovírus (que, além de resfriado, causa também conjuntivite). “Praticamente todos esses vírus, muitos transmitidos por vias respiratórias, são eliminados com água e sabão, que todo mundo tem em casa”, destaca Ferreira. Para o infectologista Edmilson Migowski, as crianças são as mais beneficiadas com a medida. “Elas ainda estão se habituando a incorporar a higiene permanente e, por isso, correm mais riscos. Escolas tinham de incorporar práticas simples, como lavagem das mãos, independentemente de qualquer pandemia”, defende.O superintendente de vigilância em saúde da Secretaria Municipal de Saúde, José Cerbino, diz que ainda é cedo para avaliar o impacto positivo das medidas de higiene, mas afirma que ele acontecerá. “Essas doenças não precisam ser notificadas, o que impede contabilizar o número de pessoas afetadas na capital. Mas as medidas vão, sim, evitar novos registros”, aposta

sábado, 8 de agosto de 2009

Rio registra anualmente cerca de 800 mortes por tuberculose

Em tempo de gripe suína, pouco se fala de outra doença mais grave e de fácil contágio. A tuberculose mata cerca de 5 mil brasileiros por ano, embora haja tratamento eficaz em quase 100% dos casos. O Rio de Janeiro é o campeão nacional de contaminação e de mortes pela doença, com quase 800 óbitos por ano e o maior índice de contaminação - 82 casos por 100 mil pessoas, praticamente o dobro da média nacional, de 44 casos por 100 mil habitantes.

Os dados foram divulgados esta semana, na Assembleia Legislativa do Rio, pelo coordenador do Fórum de Organizações Não Governamentais Tuberculose Rio, Carlos Basília, durante encontro de especialistas e lideranças comunitárias. O encontro marcou o Dia Estadual de Combate à Tuberculose. Segundo ele, apesar de a doença ser conhecida há mais de um século e de existirem medicamentos gratuitos, o maior problema é a dificuldade de acesso aos postos de saúde e a falta de continuidade no tratamento.

“Existe dificuldade de acesso ao serviço público para o diagnóstico precoce, a fim de dar início ao tratamento. É preciso enfrentar filas e mau atendimento, retirar senhas e ter que voltar em outros dias, o que afasta a população”, criticou Basília. Além disso, muitas pessoas param de tomar os remédios antes do fim do tratamento, assim que os sintomas diminuem, o que leva a uma forma resistente de tuberculose.

Para ele, a falha principal está no reconhecimento da doença ainda nas fases iniciais, quando o tratamento é mais efetivo e o risco de contaminação menor, por falta de profissionais integrados no Programa de Saúde da Família (PSF). “É preciso criar estrutura. No Rio de Janeiro, a cobertura é de apenas 4%”, apontou.

De acordo com Basília, na cidade do Rio, a concentração de casos é nas favelas, pela proximidade que as pessoas convivem, o que facilita o contágio pelo ar. Na Rocinha, segundo estatística do Ministério da Saúde, o índice de contaminação é de 500 casos por 100 mil habitantes, mais de dez vezes o do Brasil.

Os principais sintomas da tuberculose são tosse por mais de 15 dias, falta de apetite, emagrecimento, palidez, febre baixa no fim da tarde, dor no peito e suor noturno. Em caso de suspeita, é preciso procurar qualquer posto de saúde para realizar os exames. O tratamento da tuberculose é totalmente gratuito e as chances de cura são praticamente garantidas, se o paciente tomar os medicamentos durante todo o período recomendado

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Início das aulas na rede estadual é novamente adiado


Alunos da rede estadual ficarão mais 12 dias em casa. Nesta quarta-feira, o secretário estadual de Saúde, Sérgio Côrtes, anunciou que, em decorrência da gripe suína, as aulas do segundo semestre só serão inciadas no próximo dia 17. A recomendação serve como modelo para as redes municipal e privada.

Na próxima quarta-feira, uma nova reunião será organizada. No encontro, as autoridades decidirão se a data de início (dia 17) será mantida ou se um novo adiamento será recomendado.

O encontro desta quarta-feira teve a participação do Governador Sérgio Cabral, o secretário estadual de Saúde, Sérgio Côrtes, a secretária estadual de Educação, Teresa Porto, e o secretário de Ciência e Tecnologia, Alexandre Cardoso.

De acordo com a secretária Teresa Porto, caso sejá mantida a data do dia 17 para o início das aulas na rede estadual, o ano letivo será encerrado no dia 22 de dezembro. Oito sábados será utilizados para que o calendário seja cumprido.

"Esta decisão foi tomada por excesso de zelo e preocupação que o governo está tomando, principalmente por causa da quantidade de mulheres que trabalham na rede estadual. Atualmente, cerca de 80% dos servidores das escolas são mulheres e existem muitas gestantes", disse a secretária.

domingo, 2 de agosto de 2009

Punição a obstetra pode sair até 2010


A Justiça determinou ontem que a Prefeitura do Rio pague mensalmente R$ 900 a Manuela Costa, 29 anos, que perdeu o bebê que esperava, dia 4, após ser dispensada pelo obstetra José Roberto Tisi Ferraz, do Hospital Miguel Couto, na Gávea, e ser encaminhada para maternidade em São Cristóvão. Na ocasião, Ferraz rabiscou no braço da paciente números de ônibus que deveria pegar até a Zona Norte. O dinheiro pagará tratamentos pós-operatório e psicológico.

A decisão é da juíza Cristiana Aparecida de Souza Santos, da 8ª Vara da Fazenda, que atendeu ao pedido de antecipação de tutela feito pelo advogado Michel Assef. A Procuradoria Geral do Município informou que até ontem não havia recebido a decisão, mas que a ordem será “analisada com rigor para resguardar o interesse de ambas as partes”.

Manuela poderá receber o valor pelo tempo necessário para sua recuperação, mas terá de comprovar as despesas. Seu advogado lembrou que a medida é paliativa. “Aguardamos a sentença por perdas e danos, cujo valor será determinado pela Justiça. Também esperamos o desfecho da ação penal”, disse Assef.

Manuela chegou com dores no Miguel Couto. Ela estava com 7 meses de gravidez e Ferraz constatou risco de parto prematuro. Sem vagas para interná-la, ele a mandou tentar vaga na Maternidade Fernando Magalhães, em São Cristóvão. O bebê morreu.

A 14ª DP (Leblon) já concluiu as investigações do caso, e enviou relatório ao Ministério Público indicando possível crime de omissão de socorro. Os promotores ainda não decidiram se vão denunciar Ferraz à Justiça .
O médico segue afastado da Secretaria Municipal de Saúde e responde a inquérito administrativo, que pode acabar em demissão. A Secretaria de Administração tem até 20 de janeiro para decidir. Ferraz também é avaliado pelo Conselho Regional de Medicina (Cremerj).