sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Dengue: risco de epidemia

Rio
O número de casos de dengue nas duas primeiras semanas deste ano, no município do Rio, foi 99% menor do que o registrado no mesmo período de 2008, segundo a Secretaria Municipal de Saúde. Até 15 de janeiro do ano passado, a secretaria contabilizou 4.058 notificações, contra 32 este ano. Apesar da considerável queda, o secretário Hans Dohmann alerta: nova epidemia não está descartada e a população não deve se acomodar.“A queda nos casos não dá tranqüilidade para nos desarmarmos contra a dengue. Além disso, a explosão de casos no ano passado se deu num momento mais tardio (em março). É fundamental estarmos em alerta e cuidando da cidade. Não descarto a possibilidade de epidemia. Ações contra dengue serão uma preocupação para todo o ano”, disse, durante a posse do novo diretor da Fundação Oswaldo Cruz, Paulo Gadelha, na sede do instituto, ontem.Para o Ministro da Saúde, José Gomes Temporão, é precoce comemorar os baixos números. Ele frisou ainda que é fundamental a população permanecer alerta no combate à doença. “Ainda estamos nas primeiras semanas do ano. O importante é que estamos trabalhando desde outubro, orientando as pessoas para evitar nova epidemia”, disse.De acordo com o epidemiologista da Fiocruz Anthony Érico, o fato de a popuplação estar imune aos tipos 2 e 3 da dengue — circulantes durante a epidemia do último verão — justifica os baixos índices registrados em 2009. Segundo ele, a queda configura um fenômeno natural da doença e não está relacionada a ações governamentais. O especialista alerta, porém, que o cuidado deve continuar para evitar problemas caso o tipo 4 seja introduzido no Rio e o tipo 1 volte a circular na cidade.“Após grande epidemia, fica-se um período sem casos alarmantes, pois o vírus circulante tem dificuldade de encontrar pessoas ainda não infectadas. Não teremos nova epidemia dos tipos 2 e 3 esse ano, mas os cuidados devem continuar. Enquanto houver mosquitos, há risco de epidemia de outros tipos”, explica. Em 2008, foram registrados 127 mil casos na cidade, com 159 mortes.

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