quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Falta de consciência coletiva prejudica vacinações

Falta de consciência coletiva prejudica vacinações
De acordo com a enfermeira e coordenadora da Vigilância Epidemiológica, Ivana Freschi de Souza, mulheres na faixa etária entre 30 e 39 anos têm maior recusa em tomar a vacina contra a rubéola. Elas consideram que, como já tiveram filhos e são saudáveis, não precisam da vacina. Já os homens, diz Ivana, afirmam ter medo da agulha ou da reação da dose. "É preciso ter consciência coletiva, não se preocupar apenas consigo mesmo, e sim com o todo", diz Ivana. A enfermeira acredita que o governo deveria intensificar a campanha contra a rubéola mostrando à população quais os perigos da doença para a criança, no caso da mulher contraí-la durante a gestação.
Outro problema citado por Ivana que prejudica as campanhas de vacinação são as "lendas urbanas" que circulam entre a população. No caso da vacina contra rubéola, houve comentários de que a dose seria para uma esterilização em massa. Quando há campanha de vacinação contra a gripe em idosos, o comentário é de que o governo quer eliminar a população idosa por conta das despesas com a Previdência.
"Nós temos sempre que lutar contra as crenças populares. Muitas coisas que não são verdadeiras são ditas e o trabalho fica prejudicado", afirma.
Ivana destaca que atingir a meta de vacinar 95% da população entre 20 e 39 anos de idade contra a rubéola é um compromisso político. Caso um município não certifique que atingiu a meta, a Opas (Organização Pan-americana de Saúde) também não certifica o país. Segundo a enfermeira, falta apenas o Brasil para atingir a meta e para eliminar a doença das Américas. A vacina antitetânica é outra que não pode ser esquecida, pois é aplicada na infância, deve ser reforçada aos 15 anos de idade e depois a cada dez anos. A vacina contra a hepatite B é aplicada até antes dos 20 anos. Ivana explica que há vacinas que não estão no calendário de rotina, porém, para casos específicos que constam no protocolo do governo, são aplicadas quando solicitadas.
A infectologista Suzi Berbert observa que muitas vezes as pessoas procuram clínicas particulares apenas por indicação médica. E que diversas vacinas ainda não estão no calendário por questão econômica. "A vacina previne a doença e as pessoas, às vezes, não visualizam o benefício. A população não tem o hábito da prevenção", analisa Suzi. Vacinas contra meningite C, hepatite A, varicela, febre tifóide, pneumonia, Influenza e HPV, entre outras, não constam do calendário de rotina. Os preços, observa a infectologista, variam entre R$ 30 e 400,00. No caso da vacina contra o HPV (vírus causador do câncer de colo de útero), o preço pode variar entre R$ 300 e R$ 400,00 cada dose, afirma Suzi. Devem ser aplicadas três doses.
Fonte: COFEN

terça-feira, 28 de outubro de 2008

SP vai usar células-tronco da barriga em cirurgias cardíacas

O Estado de São Paulo vai usar, pela primeira vez no Brasil, células-tronco extraídas da gordura da barriga em cirurgias cardíacas. O objetivo é testar o procedimento para recuperar músculos de corações lesionados em razão de infartos.
Desenvolvido pelo Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, em parceria com o Instituto Ludwig, o trabalho tem como expectativa retirar da gordura uma quantidade maior de células, o que pode aumentar as chances de sucesso do tratamento. Atualmente são desenvolvidas experiências semelhantes no país apenas com células tronco de medula óssea.
Cerca de 200 pacientes entre 40 e 75 anos serão envolvidos no estudo. São pessoas que precisam passar por uma ponte de safena em razão de lesões coronarianas e do enfraquecimento do músculo cardíaco. Metade dos pacientes fará a cirurgia convencional e a outra metade receberá a injeção da célula tronco no coração.
“Nossa expectativa é que a célula-tronco se transforme em vasos sangüíneos e em células cardíacas, auxiliando a aumentar a força do batimento na parede do coração que estava parada”, afirma o médico Marcelo Sampaio, responsável pelo Laboratório de Biologia Molecular do Dante.
As cirurgias experimentais deverão começar já em novembro. Segundo o cardiologista, a retirada de células-tronco da barriga é um processo simples, que pode ser feito juntamente com a cirurgia.
Fonte: COREN-SP

Desenvolvimento da Educação em Enfermagem no Brasil

Ao final do século XIX, apesar de o Brasil ainda ser um imenso território com um contigente populacional pouco elevado e disperso, um processo de urbanização lento e progressivo já se fazia sentir nas cidades que possuíam áreas de mercado mais intensas, como São Paulo e Rio de Janeiro. As doença infecto-contagiosas, trazidas pelos europeus e pelos escravos africanos, começam a propagar-se rápida e progressivamente. A questão saúde passa a constituir um problema econômico-social. Para deter esta escalada que ameaçava a expansão comercial brasileira, o governo, sob pressões externas, assume a assistência à saúde através da criação de serviços públicos, da vigilância e do controle mais eficaz sobre os portos, inclusive estabelecendo quarentena Revitaliza, através da reforma Oswaldo Cruz introduzida em 1904, a Diretoria-Geral de Saúde Pública, incorporando novos elementos à estrutura sanitária, como o Serviço de Profilaxia da Febre Amarela, a Inspetoria de Isolamento e Desinfecção e o Instituto Soroterápico Federal, que posteriormente veio se transformar no Instituto Oswaldo Cruz. Mais tarde, a Reforma Carlos Chagas (1920), numa tentativa de reorganização dos serviços de saúde, cria o Departamento Nacional de Saúde Pública, órgão que, durante anos, exerceu ação normativa e executiva das atividades de Saúde Pública no Brasil. A formação de pessoal de Enfermagem - para atender inicialmente aos hospitais civis e militares e posteriormente, às atividades de saúde pública - principiou com a criação, pelo governo, da Escola Profissional de Enfermeiros e Enfermeiras, no Rio de Janeiro, junto ao Hospital Nacional de Alienados do Ministério dos Negócios do Interior. Esta escola, que é de fato a primeira escola de Enfermagem brasileira, foi criada pelo Decreto Federal nº 791, de 27 de setembro de 1890, e denomina-se hoje Escola de Enfermagem Alfredo Pinto, pertencendo à Universidade do Rio de Janeiro - UNI-RIO.
Cruz Vermelha Brasileira

A Cruz Vermelha Brasileira foi organizada e instalada no Brasil em fins de 1908, tendo como primeiro presidente Oswaldo Cruz. Destacou-se a Cruz Vermelha Brasileira por sua atuação durante a I Guerra Mundial (1914-1918). Fundaram-se filiais nos Estados. Durante a epidemia de gripe espanhola (1918), colaborou na organização de postos de socorro, hospitalizando doentes e enviando socorristas a diversas instituições hospitalares e a domicílio. Atuou também socorrendo vítimas das inundações, nos Estados de Sergipe e Bahia, e as das secas do Nordeste. Muitas das socorristas dedicaram-se ativamente à formação de voluntárias, continuando suas atividades após o término do conflito.
Saúde Pública

No desenvolvimento das organizações sanitárias no Brasil, aparecem dois grandes médicos: Oswaldo Cruz, responsável pela criação da medicina preventiva entre nós e Carlos Chagas, pela sua contribuição à enfermagem em Saúde Pública. Em 2 de janeiro de 1920, pelo Decreto 3.987, foi criado o Departamento Nacional de Saúde Pública. No setor de Profilaxia da Tuberculose, iniciou-se o serviço de visitadores. No ano seguinte, pensou-se em estender essa assistência ao setor de doenças venéreas e outras doenças transmissíveis. Por iniciativa de Carlos Chagas, então diretor do Departamento, e com a cooperação da Fundação Rockfeller, chegou ao Rio, em 1921, um grupo de enfermeiras visitadoras que iniciou um curso intensivo. Fundada a Escola Ana Néri, as primeiras alunas foram logo contratadas pelo Departamento Nacional de Saúde Pública. Teve início então um trabalho de educação sanitária nos setores de profilaxia da tuberculose e higiene infantil, estendendo-se depois, à higiene pré-natal e visitação aos portadores de doenças transmissíveis.